Auditoria identificou impacto fiscal de R$ 5,5 bilhões nas contas do Distrito Federal, cenário que poderá influenciar a análise das contas do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
Técnicos do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) detectaram um rombo estimado em R$ 5,5 bilhões no orçamento do DF. O resultado integra a análise das contas referentes ao exercício de 2025 do ex-governador Ibaneis Rocha e pode trazer consequências políticas e eleitorais para o emedebista.
Segundo os auditores, o cenário reflete um processo de deterioração fiscal das contas públicas distritais. A preocupação do tribunal é que o valor ainda possa crescer, já que despesas antigas, antes não contabilizadas, começaram a aparecer recentemente. O presidente do TCDF, conselheiro Manoel de Andrade, afirmou que pretende levar o julgamento das contas de Ibaneis ao plenário até julho.
Na análise técnica, foram apontados diferentes fatores que contribuíram para o rombo: déficit primário de R$ 821 milhões em 2025, cerca de R$ 1,7 bilhão em restos a pagar não quitados, R$ 1,5 bilhão em despesas de anos anteriores que começaram a ser cobradas agora e mais R$ 1,5 bilhão relacionados à pressão financeira sobre o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF).
Os auditores classificaram o cenário como uma “rolagem de déficit assistido”, indicando que despesas antigas foram empurradas para exercícios seguintes. Em alguns casos, fornecedores prestaram serviços sem que os pagamentos fossem sequer faturados no período correto.
De acordo com os técnicos, embora o governo tenha mantido formalmente o cumprimento das regras fiscais, existiriam obrigações financeiras ocultas que comprometem a real capacidade de solvência do orçamento distrital.
O relatório também destaca dificuldades enfrentadas pelo Iprev-DF, que afirma não possuir recursos suficientes para custear aposentadorias ao longo deste ano. O contexto eleitoral aumenta a pressão sobre as contas públicas, já que a legislação restringe a transferência de dívidas para mandatos futuros.
O Tribunal de Contas emite parecer sobre as contas do governo, mas a decisão final cabe à Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde Ibaneis manteve maioria política durante sua gestão. Em casos extremos, a rejeição das contas por irregularidades graves e atos dolosos pode gerar inelegibilidade. O ex-governador é apontado como pré-candidato ao Senado em 2026.
O cenário fiscal também se conecta à crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Conforme revelado anteriormente, o Distrito Federal iniciou 2026 sem recursos suficientes em caixa para cumprir compromissos financeiros, situação que dificultou aportes no BRB após os impactos relacionados ao Banco Master.
Sem disponibilidade financeira, o governo distrital buscou um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), negociando apoio da União e garantias envolvendo bancos públicos e privados.
O presidente do TCDF afirmou que o ambiente fiscal atual compromete a credibilidade das contas públicas e atribuiu a crise a falhas na condução orçamentária da gestão anterior. Segundo Manoel de Andrade, o tribunal poderá recomendar a rejeição das contas de Ibaneis caso as irregularidades sejam confirmadas.
Já o secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, declarou que a atual gestão vem promovendo ajustes para reequilibrar as finanças públicas. Entre as medidas adotadas estão cortes de gastos, redução de contratos administrativos e controle mais rígido das despesas governamentais.
A Secretaria de Economia informou ainda que reconhece os desafios fiscais enfrentados pelo DF e afirmou que eventuais recomendações feitas pelo Tribunal de Contas serão cumpridas dentro dos prazos estabelecidos.



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