Ex-delegada conta que implantou espaço separado para vítimas de violência e levou experiência a debate sobre a Lei Maria da Penha

Foto: Pedro Santos.
A experiência no atendimento a vítimas de violência doméstica levou Dra. Jane, ainda durante a carreira policial, a criar um espaço reservado para receber mulheres dentro de uma delegacia. A parlamentar afirma que o modelo buscava reduzir o constrangimento enfrentado por vítimas no momento de relatar agressões.
Segundo a entrevistada, a iniciativa foi implantada quando trabalhava em Planaltina. Em vez de prestar todo o atendimento no balcão comum da delegacia, a mulher podia ser encaminhada a uma sala separada e conversar com outra mulher.
A mudança surgiu, conforme o relato, da percepção de que vítimas se sentiam expostas ao contar detalhes da violência em ambientes compartilhados. Para Dra. Jane, a presença de policiais homens também poderia dificultar o relato de mulheres que acabavam de sofrer agressões cometidas por homens próximos.
A então delegada também passou a dar atenção à preservação de elementos que pudessem auxiliar a investigação. Na entrevista, ela explicou que algumas marcas de agressão desaparecem rapidamente e ressaltou a importância da produção de provas para a continuidade do processo.
Dra. Jane conta que posteriormente foi convidada ao Senado para apresentar a iniciativa entre experiências consideradas boas práticas relacionadas à Lei Maria da Penha. Segundo ela, características semelhantes às adotadas na unidade policial acabaram incorporadas posteriormente à legislação referente ao atendimento das vítimas.
A experiência ajuda a explicar por que a proteção às mulheres passou a ocupar espaço central na atuação política da ex-delegada. No mandato, Dra. Jane afirma ter levado para a legislação situações que havia acompanhado diretamente dentro das unidades policiais.
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