Neste 5 de agosto de 2026, o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) reduziu a Selic, que orienta a taxa básica de juros da economia, para o patamar de 14% ao ano, mantendo-a entre as mais altas do mundo. Apesar dos cortes consecutivos de 0,25% cada, o organismo ainda sinaliza cautela diante dos riscos inflacionários e fiscais, o que limita a expectativa de que cortes mais agressivos possam acontecer. O mercado imobiliário pode ser beneficiado, mas os juros ainda continuam altos.
O comunicado do Copom esclareceu que as próximas decisões dependerão da evolução da inflação e do cenário externo. Embora vários analistas projetem mais um corte até o fim de 2026, há divergências. Alguns sugerem uma pausa para avaliar os efeitos já produzidos; outros acreditam que a desaceleração da inflação abra espaço para mais reduções. O Boletim Focus estima a Selic em 13,75% no fim do ano. Porém fatores como o impacto do El Niño nos alimentos e a volatilidade cambial podem limitar o ciclo.
Mesmo após quatro reduções sucessivas, o sentimento geral é de que a taxa de 14% é insuportável. Ela encarece o crédito, desestimula investimentos produtivos e mantém o custo da dívida pública nas alturas. As empresas têm dificuldades para financiar sua expansão, e a população sente os altos juros no crédito pessoal e no financiamento imobiliário. Por outro lado, a Selic elevada também atrai capital especulativo, valorizando o real no curto prazo, mas prejudicando a competitividade dos produtos exportáveis.
Em regra, a expectativa de inflação se ancora no percentual da taxa Selic: juros altos, inflação baixa e vice-versa. Aí reside a preocupação do Banco Central: na desancoragem da inflação à Selic. É o que parece já estar ocorrendo. Mesmo com a inflação controlada, os agentes econômicos estimam futura alta inflacionária e passam a exigir juros elevados para contê-la. Isso gera um paradoxo: a economia desacelera, porém o custo do crédito continua em alta e acaba sufocando o consumo e os investimentos.
Com fulcro nessa funesta equação, estima-se que o PIB brasileiro cresça apenas cerca de 1% (um por cento) em 2026. Claro que isso afetará o mercado imobiliário! Contudo os sucessivos cortes na Selic têm aliviado o setor, estimulando novos lançamentos e mantendo
em alta o comércio de imóveis usados. Incorporadores esperam que novas reduções ampliem o acesso ao crédito e impulsionem as vendas, mas admitem que o ritmo será lento enquanto o a taxa decidida pelo Copom permanecer em dois dígitos.
A Selic a 2% em agosto/2020 foi a mais baixa da história desde 1999. Resultado: recorde de financiamentos, valorização dos imóveis e elevação do consumo. Porém os preços dispararam, exigindo forte ajuste. A solução não é simples! Selic abaixo de 13% só será possível com o controle dos gastos públicos, commodities estabilizadas e câmbio controlado. Portanto dependemos também da economia global. O mais provável é que a Selic permaneça em alta, sacrificando o crescimento em favor da estabilidade.
João Teodoro da Silva
Presidente – Sistema Cofeci-Creci



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