Em entrevista ao Empreender Brasília Podcast, Jael Antônio da Silva falou sobre endividamento das empresas, falta de mão de obra, reforma tributária e os possíveis impactos de mudanças na jornada de trabalho
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O presidente do Sindhobar-DF, Jael Antônio da Silva, apresentou um panorama dos desafios enfrentados pelo setor de bares e restaurantes do Distrito Federal durante participação no Empreender Brasília Podcast, apresentado pelo jornalista Paulo Melo. Entre os principais temas da entrevista estiveram a situação financeira das empresas, a dificuldade para contratar trabalhadores, os impostos, a reforma tributária e o debate sobre o fim da escala 6x1.
Segundo Jael, parte significativa dos empresários do segmento ainda enfrenta dificuldades financeiras. Ele estimou que entre 35% e 40% estejam endividados e afirmou que uma parcela semelhante encontra dificuldades para obter lucro. “Nós temos aí aproximadamente entre 35% a 40% dos empresários ainda endividados”, declarou. Para o presidente do Sindhobar-DF, os problemas não estão relacionados apenas aos efeitos da pandemia, mas a um processo acumulado ao longo dos últimos anos.
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Jael também afirmou que poucos estabelecimentos conseguem atualmente apresentar resultados financeiros considerados satisfatórios. Na avaliação dele, negócios mais consolidados e com maior relacionamento com o público têm conseguido enfrentar melhor o cenário.
Falta de mão de obra e impostos preocupam o setor
Ao falar sobre os principais obstáculos para bares e restaurantes, Jael apontou os impostos e a dificuldade para encontrar trabalhadores como questões centrais. Em relação à burocracia para funcionamento dos estabelecimentos, reconheceu que houve avanços no Distrito Federal. “A burocracia, felizmente, melhorou muito nos últimos tempos aqui para nós”, afirmou.
Já em relação à carga tributária, demonstrou preocupação, especialmente diante das mudanças previstas com a reforma tributária. Segundo ele, empresários do segmento participaram recentemente de um encontro para discutir o assunto e saíram preocupados com os possíveis efeitos das novas regras.
A escassez de trabalhadores também apareceu repetidamente durante a entrevista. “A mão de obra não existe mais em Brasília, acabou”, afirmou Jael, ao descrever a dificuldade dos estabelecimentos para preencher vagas.
Apesar das dificuldades, o dirigente sindical afirmou que o setor tem buscado melhorar as condições oferecidas aos trabalhadores. Ele citou reajustes salariais, gorjetas, alimentação e benefícios previstos em convenção coletiva, incluindo assistência e plano odontológico.
Escala 6x1 entra no centro do debate
Um dos principais assuntos da entrevista foi a discussão sobre o fim da escala 6x1.
Questionado sobre a posição do setor, Jael afirmou que empresários de bares e restaurantes são contrários à mudança da forma como ela vem sendo discutida. Segundo ele, uma alteração sem considerar as características de cada atividade poderia elevar os custos dos estabelecimentos. “Nós precisamos discutir melhor essa situação”, afirmou.
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Foto: Pedro Santos.
Na avaliação apresentada pelo dirigente, uma redução da jornada com mais dias de descanso poderia exigir novas contratações. Jael estimou que a mudança poderia provocar aumento entre 10% e 12% nos custos da folha de pagamento dos estabelecimentos, valor que, segundo ele, poderia acabar incorporado aos preços. “Você vai ter que contratar mais gente”, disse. Para Jael, bares e restaurantes enfrentariam uma dificuldade adicional porque operam justamente nos períodos em que grande parte da população está de folga — noites, fins de semana e feriados.
Durante a entrevista, Paulo Melo também apresentou o argumento de trabalhadores que defendem mais tempo de descanso e convivência familiar. Jael reconheceu a existência dessa demanda. “Existe uma demanda legítima”, respondeu.
Ele relacionou parte do problema da qualidade de vida dos trabalhadores ao tempo gasto no deslocamento entre casa e trabalho e defendeu melhorias na mobilidade urbana do Distrito Federal.
Sindobar defende negociação por setor
Como alternativa a uma mudança uniforme na escala de trabalho, Jael defendeu tratamento específico para diferentes atividades, negociação coletiva e maior flexibilidade na contratação por horas.
“Essas decisões não precisam vir de lei, basta vir da convenção coletiva de trabalho”, afirmou.
Segundo ele, as características de bares e restaurantes precisam ser consideradas porque o setor funciona durante toda a semana e possui demanda concentrada em horários e dias específicos.
No bate-bola realizado no final do programa, ao ser questionado se a escala 6x1 deveria ser mantida, encerrada ou negociada, Jael resumiu sua posição: “Tem que negociar essa escala 6 por 1. Tem que ser muito bem discutido”.
Presidente do Sindhobar cita fechamento de estabelecimentos
Outro momento de destaque ocorreu quando Jael apresentou um levantamento próprio sobre o fechamento de empresas no Distrito Federal.
Segundo ele, 3 mil bares e restaurantes teriam encerrado suas atividades em Brasília entre janeiro e julho. “Fecharam 3.000 bares e restaurantes em Brasília nesse período. Em sete meses. É muito grande”, afirmou.
O número foi apresentado pelo entrevistado como resultado de levantamento realizado por ele e não teve a metodologia detalhada durante o programa.
Jael também mencionou automação e delivery como tendências que vêm transformando o setor. Totens de autoatendimento, especialmente em operações de fast-food, foram citados como exemplo de tecnologia utilizada para reduzir a dependência de determinadas funções.
Política e setor produtivo
A relação entre empreendedorismo e política também entrou na conversa. Para Jael, empresários precisam acompanhar mais de perto as decisões tomadas pelo poder público e participar dos debates que afetam suas atividades. “O empresário tem que estar junto com a política”, afirmou.
Ao falar especificamente sobre o Governo do Distrito Federal, Jael disse que o setor manteve diálogo com a gestão de Ibaneis Rocha, inclusive durante a pandemia. Em contrapartida, criticou propostas legislativas que, na avaliação dele, criam novas obrigações para estabelecimentos sem diálogo prévio suficiente com as entidades empresariais.
Durante a entrevista, o dirigente também defendeu que Brasília amplie políticas de mobilidade e afirmou que bares e restaurantes possuem importância econômica e turística para a capital.
Conselho para quem pretende abrir um restaurante
Apesar dos problemas apresentados ao longo da entrevista, Jael não descartou oportunidades para novos empreendedores. A recomendação, entretanto, foi de cautela.
“Examine bem o seu negócio, veja onde é que você quer, escolha bem seu ponto”, aconselhou.
Para quem pretende investir as próprias economias na abertura de um bar ou restaurante, o presidente do Sindhobar-DF ressaltou principalmente a necessidade de planejamento.
“Você tem que fazer um plano de negócio. Sem plano de negócio, não se arrisca a fazer nada aqui em Brasília”, afirmou.
Jael recomendou ainda que o futuro empresário estude o mercado antes de investir e procure instituições como o Sebrae e entidades representativas do setor em busca de orientação.
Ao encerrar sua participação no Empreender Brasília Podcast, o presidente do Sindhobar-DF fez um chamado pela união dos empresários do segmento. Segundo ele, uma participação maior nas entidades representativas aumenta a capacidade do setor de dialogar com o poder público e defender seus interesses.
A entrevista completa foi conduzida por Paulo Melo no Empreender Brasília Podcast.
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