Dhiego Soares, presidente do Global Tech Institute, explica como identificar tarefas que podem ser automatizadas e aplicar a inteligência artificial para aumentar a produtividade.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest para o iFood, intitulada Cultura na Prática, mostra que 28% dos profissionais afirmam que as empresas incentivam o uso da inteligência artificial, mas não fornecem as ferramentas necessárias para o trabalho. O levantamento, que ouviu 1.406 profissionais de organizações com mais de 100 colaboradores em todo o país, aponta ainda que 45% dos entrevistados já utilizam ferramentas de IA várias vezes ao dia em sua rotina. Os dados evidenciam o descompasso entre o estímulo corporativo à inovação e a entrega de condições práticas de infraestrutura tecnológica.
A adoção da inteligência artificial pode contribuir para otimizar processos, reduzir tarefas repetitivas e melhorar a organização das atividades profissionais. No entanto, para alcançar esses resultados, é necessário identificar quais etapas podem ser automatizadas, quais exigem análise humana e quais ferramentas são adequadas às necessidades de cada equipe.
Para Dhiego Soares, presidente do Global Tech Institute, a implementação da tecnologia precisa estar associada a objetivos claros e ao preparo dos profissionais.
“Não basta incentivar os funcionários a utilizar inteligência artificial se eles não têm acesso às ferramentas adequadas ou não sabem como aplicá-las. As empresas precisam identificar quais processos podem ser otimizados e oferecer condições para que a tecnologia seja incorporada à rotina de forma eficiente”, explica.
Entre as atividades que podem ser automatizadas ou apoiadas pela IA estão a organização de informações, a classificação de dados, a elaboração de relatórios iniciais e a produção de rascunhos de documentos. A aplicação depende das características de cada função, da qualidade das informações disponíveis e da revisão dos resultados.
Outro desafio é compreender os limites da tecnologia. Embora a IA possa agilizar tarefas operacionais, decisões estratégicas, análises complexas e atividades que exigem julgamento profissional continuam demandando participação humana. A falta de critérios para o uso dessas ferramentas também pode gerar erros, retrabalho e riscos relacionados à segurança das informações.
“Antes de implementar a inteligência artificial, é importante mapear as atividades que consomem tempo e avaliar quais podem ser executadas com apoio tecnológico. A automação precisa resolver problemas concretos, e não apenas acompanhar uma tendência. Também é fundamental capacitar as equipes para utilizar as ferramentas com senso crítico e responsabilidade”, ressalta o especialista.
A preparação das equipes e a disponibilização de ferramentas adequadas são etapas importantes para que as empresas aproveitem o potencial da inteligência artificial. Quando incorporada com planejamento, a tecnologia pode liberar os profissionais de parte das tarefas operacionais e permitir maior dedicação a atividades que exigem criatividade, análise e tomada de decisão.
O cenário apontado pela pesquisa reforça que a transformação digital depende não apenas do acesso à inteligência artificial, mas também de estratégia, capacitação e definição de processos. Para as empresas, o desafio é converter o uso cotidiano da tecnologia em ganhos concretos de produtividade e eficiência.
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