Pioneiro de Brasília, Luiz André Reis (Culé) destaca empreendedorismo, inovação e resultados na gestão do Iate Clube

Em entrevista ao Empreender Brasília Podcast, empresário relembra a inauguração da capital, fala sobre sua trajetória na engenharia, os impactos da inteligência artificial e os desafios de administrar uma das instituições mais tradicionais do Distrito Federal



O empresário e engenheiro mecânico Luiz André Reis, conhecido como Culé, foi o convidado do Empreender Brasília Podcast, em uma entrevista marcada por histórias sobre o nascimento da capital federal, empreendedorismo, inovação tecnológica e liderança. Com décadas de atuação empresarial e uma longa relação com o Iate Clube de Brasília, ele compartilhou experiências que ajudam a compreender a evolução do ambiente de negócios no Distrito Federal.

Culé chegou a Brasília em março de 1960, aos nove anos, um mês antes da inauguração oficial da cidade. Na entrevista, relembrou um dos momentos mais marcantes de sua infância: a celebração de 21 de abril daquele ano.

“Eu assisti à inauguração da cidade na noite do dia 21 de abril, sentado num barro vermelho ali no vão da Rodoviária, olhando por cima da Rodoviária os fogos de artifício lá no Congresso Nacional”, contou.

A relação com Brasília começou ainda na infância, quando a capital estava em construção e oferecia oportunidades para famílias que chegavam de diferentes regiões do país.

“Então eu sou candango mesmo”, afirmou.


Da Universidade de Brasília ao pioneirismo tecnológico

Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade de Brasília (UnB), Luiz André Reis construiu uma carreira ligada à inovação, à eficiência energética e à automação.

Ainda durante a graduação, desenvolveu um projeto de aquecimento solar de água que ganhou repercussão e se transformou em oportunidade de negócio.

“Eu fui pioneiro disso aqui em Brasília”, destacou.

Segundo o empresário, o projeto ganhou espaço no Correio Braziliense e posteriormente deu origem a uma indústria dedicada à fabricação de sistemas de aquecimento solar, com atuação no Distrito Federal e em outros estados.

“Dali isso virou uma indústria aqui em Brasília e nós criamos a primeira indústria fabricante de sistemas de aquecimento solar”, relatou.

Na década de 1980, sua atuação ganhou novos caminhos com o desenvolvimento de sistemas de controle e automação predial. Um dos projetos mencionados foi a implantação de tecnologia de automação no Norte Shopping, no Rio de Janeiro, inaugurado em 1986.

Ao longo dos anos, o empresário expandiu suas atividades para infraestrutura de redes, comunicação, agronegócio, comércio e incorporação imobiliária.

A diversificação dos negócios também envolve sua família, que participa de atividades empresariais em diferentes setores do Distrito Federal.

Brasília e as oportunidades para empreender
Ao comentar o desenvolvimento econômico da capital, Culé destacou que Brasília possui características favoráveis à atividade empresarial, sobretudo em razão da concentração de renda e das oportunidades existentes no mercado local.

“Ela oferece muita oportunidade para quem quer trabalhar sério, trabalhar direito”, afirmou.

O empresário ressaltou que a economia brasiliense vai além do setor público e apontou a experiência de sua própria família como exemplo de atuação em diferentes áreas da iniciativa privada.

Entre os negócios mencionados estão empresas de engenharia, atividades agrícolas, empreendimentos imobiliários e a loja de moda feminina Sol e Vento, tradicional no comércio de Brasília.

Para Culé, o sucesso empresarial depende de uma combinação de responsabilidade, atenção às oportunidades e capacidade de atender às necessidades dos consumidores.

“Ele tem que olhar pro mercado dele, ele tem que reconhecer, ele tem que criar valor pro seu cliente, porque sem cliente empresário nenhum existe”, destacou.

Inteligência artificial deve transformar o mercado de trabalho
Um dos momentos de maior destaque da entrevista foi a discussão sobre o avanço da inteligência artificial e seus impactos na economia.

Questionado sobre qual orientação daria a um jovem engenheiro interessado em abrir uma empresa, Luiz André Reis respondeu de forma direta:

“Aprender inteligência artificial.”

Segundo ele, o uso de ferramentas de IA já faz parte da rotina de suas empresas, auxiliando atividades nas áreas de engenharia, gestão e agronegócio.

“Lá na nossa fazenda, nas nossas empresas de engenharia, em todas as áreas de gestão, a gente desenvolve soluções muito apoiados por esses softwares todos de inteligência artificial que são disponíveis hoje”, explicou.

Para o empresário, essas tecnologias representam oportunidades para aumentar a eficiência dos negócios, mas também trazem preocupações sobre o futuro do trabalho e a transformação das profissões.

“Eu só sei que vai acontecer uma mudança muito radical”, afirmou.

Na avaliação de Culé, profissionais e empresas precisarão acompanhar a evolução tecnológica para lidar com um mercado cada vez mais automatizado.


Gestão do Iate Clube e valorização dos títulos

Além de sua trajetória empresarial, Luiz André Reis destacou a experiência à frente do Iate Clube de Brasília, instituição com a qual mantém vínculos desde a década de 1970.

Associado antigo, ex-atleta e velejador, ele afirmou que sua participação na administração do clube começou em 2011 e se intensificou durante seu período de gestão.

Na entrevista, Culé apresentou indicadores que, em sua avaliação, demonstram o fortalecimento da instituição.

Um dos principais resultados apontados foi a valorização dos títulos patrimoniais. Segundo o dirigente, os títulos eram negociados por aproximadamente R$ 75 mil a R$ 80 mil no início de sua gestão e passaram a alcançar valores próximos de R$ 200 mil.

“Hoje o título tá sendo vendido em torno de R$ 200.000. Então nós proporcionamos uma valorização do patrimônio de cada associado”, afirmou.

O empresário também destacou a renovação do quadro social, com aproximadamente 300 aquisições de títulos ao longo dos três anos de gestão, o que teria contribuído para a entrada de novas famílias e o aumento da participação nas atividades esportivas e sociais.

“Eu posso dizer para você que nós estamos terminando uma gestão de sucesso. Eu não tenho dúvida disso”, declarou.

Apesar dos resultados apresentados, Culé afirmou que o principal aprendizado da administração do clube esteve relacionado à convivência com diferentes perfis de associados.

“O que mais eu aprendi lá no Iate Clube foi sobre relacionamento humano”, ressaltou.

Segundo ele, administrar uma instituição com milhares de associados exige capacidade de diálogo, respeito às divergências e comprometimento com os interesses coletivos.

Eventos, solidariedade e responsabilidade social
Durante a entrevista, Culé também destacou o fortalecimento do calendário de eventos do Iate Clube de Brasília, incluindo festas tradicionais, atividades culturais e iniciativas beneficentes.

Entre os destaques está o Iate Concert, evento que reúne apresentações musicais e ações de arrecadação de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade social.

De acordo com o empresário, uma das edições possibilitou a arrecadação e distribuição de 48 toneladas de cestas básicas no Distrito Federal, por meio de entidades cadastradas e órgãos públicos.

“Isso é que te emociona, você saber que você pode fazer um evento bonito”, comentou.

O dirigente também mencionou iniciativas ambientais voltadas à preservação do Lago Paranoá, com participação de funcionários, associados e alunos das escolinhas esportivas do clube.

Para ele, o fortalecimento institucional deve estar associado não apenas aos resultados administrativos, mas também à contribuição social e à qualidade das experiências oferecidas aos associados.

Uma trajetória marcada pela família e pelo propósito
Mesmo após décadas de atuação empresarial, Luiz André Reis afirmou que continua motivado a desenvolver projetos e buscar novas oportunidades.

“Eu tô sempre envolvido em alguma coisa nova. Eu gosto disso e acho que eu não vou deixar de fazer isso até acabar minha vida”, declarou.

Ao falar sobre suas conquistas, destacou a importância dos familiares e amigos, que considera fundamentais para sua trajetória pessoal e profissional.

Questionado sobre o legado que deseja deixar para Brasília, Culé valorizou a ética, o respeito e a responsabilidade na condução da vida e dos negócios.

“O legado é deixar o que a gente fez bem feito e de forma correta. Isso é que é importante, deixar uma vida limpa e um exemplo limpo”, afirmou.

Ao final da entrevista, o empresário deixou uma mensagem para quem deseja empreender, mas ainda não encontrou coragem para tirar uma ideia do papel.

“Acredite numa ideia e invista com segurança. Não tenha medo”, aconselhou.

Ele também reforçou a necessidade de manter o foco e compreender as demandas do mercado.

“Olhe sempre pro mercado e pros seus clientes, porque eles é que vão sustentar o seu negócio”, concluiu.

A conversa com Luiz André Reis (Culé) integra o Empreender Brasília Podcast, iniciativa que apresenta histórias de empresários e lideranças que contribuem para o desenvolvimento econômico, social e institucional da capital federal.

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