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CLDF debate fim do prazo para renovação da frota de ônibus




Foto: Carlos Gandra/CLDF


Empresas teriam até o dia 28 para a troca dos veículos com mais de sete anos e alegam que pandemia dificultou a compra de novos ônibus. GDF vai enviar proposta à CLDF ampliando o prazo em 180 dias


Estipular um cronograma para a renovação da frota dos ônibus que integram o sistema de transporte urbano foi o principal tema da comissão geral da Câmara Legislativa que debateu, na tarde desta quinta-feira (17), questões relativas à mobilidade no Distrito Federal. No dia 28 de fevereiro próximo, 1.106 ônibus terão de ser recolhidos, segundo o contrato firmado pelo GDF com as empresas, ao atingirem o limite de sete anos em circulação. A iniciativa foi do deputado Chico Vigilante (PT) que, ao final da discussão, estabeleceu a próxima segunda-feira (21) como prazo para as empresas enviaram a nova data para a substituição dos veículos. A medida terá de passar pelo crivo do plenário da CLDF.

Atualmente, está em vigor um decreto legislativo, proposto por Vigilante, que revogou decisão do Conselho de Transporte Público Coletivo majorando a validade dos ônibus. A norma manteve a data no final deste mês. Contudo, algumas empresas alegaram que as fabricantes de veículos, devido à pandemia, reduziram a produção, o que impossibilitaria o cumprimento do contrato. Pelo que foi exposto durante o debate, serão necessários, no mínimo, 180 dias para a efetivação da troca. Ao longo desse período, poderá haver substituições parciais. No total, o sistema conta com cerca de 2,8 mil ônibus e é mantida uma frota reserva de 5%.

Há empresas que já conseguiram renovar 100% da frota dentro do prazo, caso da Piracicabana, Pioneira e TCB. Já a Marechal precisa adquirir 356 dos seus 464 veículos. A São José necessita de 1.100 ônibus novos e a Urbe tem 314 a renovar. No caso de ser aprovado um novo cronograma, Chico Vigilante propôs aos empresários “mais cuidados com a manutenção e a limpeza da frota em circulação”.

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​​​​​​​Em resposta ao pleito das empresas, o secretario de Transporte, Valter Casimiro, disse que pretende enviar ao Legislativo local uma proposta ainda nesta sexta-feira (18). De acordo com ele, a pasta aumentará a fiscalização e a vistoria para garantir que os ônibus rodem com segurança.

Diretor do Sindicato dos Rodoviários, Joao Osório pediu “fiscalização de qualidade” do transporte público oferecido à população: “Uma frota precária oferece riscos aos trabalhadores, aos passageiros e ao público em geral”.

Pelos metroviários, falou Neiva Lopes. A dirigente sindical reivindicou que o metrô, a exemplo do sistema de ônibus, seja contemplado com o subsídio intitulado “tarifa técnica”, que cobre a diferença entre os custos operacionais e a arrecadação com as passagens. “Dessa forma, não teríamos discursos pela privatização, pois haveria equilíbrio financeiro”, afirmou.

Sobre o metrô, a deputada Julia Lucy (Novo) questionou a gestão do serviço: “Várias vezes viajei sem pagar porque não há funcionários para cobrar o bilhete. Acho que vem dos problemas de gestão uma das razões do déficit”. Também solicitou a ampliação do horário de circulação dos ônibus, que não atende a demanda dos trabalhadores, por exemplo, que trabalha em bares e restaurantes.“Pessoas que moram longe deixam de ser contratadas porque não há como se locomover no período noturno”, argumentou Júlia Lucy.

Paíque Santarém, um dos autores do livro “Mobilidade Antirracista”, tema de seu doutorado, observou que o transporte de passageiros, muitas vezes, pode ser comparado ao transporte de cargas. Integrante do Movimento Passe Livre, ele defendeu que o transporte urbano deve proporcionar “qualidade e prazer”.

Também falou sobre a necessidade de renovação da frota, de modificação de indicadores para calcular o repasse às empresas e de aumentar a participação popular na elaboração das políticas públicas voltadas ao transporte. Neste ponto, o deputado Chico Vigilante salientou a urgência de alteração da composição do Conselho de Transporte.

Para a realização da comissão geral, a sessão ordinária da Câmara Legislativa é aberta e, em seguida, suspensa, permitindo a entrada, no plenário, de representantes do governo, especialistas e da sociedade em geral que, juntos com os parlamentares, debatem temas relevantes para o Distrito Federal.

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