Distritais são pegos de surpresa e temem perder cargos no Executivo. Celina Leão envia recado via Diário Oficial do DF

A ameaça de rompimento entre a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e seu antecessor Ibaneis Rocha (MDB) já começa a provocar fissuras dentro do próprio MDB. A sigla conta hoje com cinco deputados distritais na Câmara Legislativa e, em um momento de crise para o governo e de caça a votos para os parlamentares, nenhum dos lados pode se dar ao luxo de romper de vez.
A decisão de Ibaneis de expor publicamente sua insatisfação com Celina, sem consultar a bancada do MDB na CLDF, surpreendeu os distritais. Muitos deles controlam cargos estratégicos no Executivo – em secretarias, administrações regionais e empresas públicas –, estruturas que sustentam redes de apoiadores fundamentais em período eleitoral.
Para Celina, manter o apoio dos emedebistas é crucial para garantir folga nas votações. Hoje, ela conta com 17 distritais na base. Se o MDB desembarcar, esse número cai para 12, um a menos que a maioria simples necessária para aprovar projetos de interesse do governo, e quatro a menos que a maioria absoluta exigida para alterações na Lei Orgânica.
Surpresa e disputa por espaços
O movimento anunciado diante do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, envolveu o presidente da Câmara Legislativa e líder regional do partido, Wellington Luiz, que demonstrou desconforto ao afirmar que a legenda terá protagonismo nas eleições em uma chapa majoritária.
Wellington tem relação antiga e próxima com Celina, que inclui indicações feitas em mandatos anteriores da atual governadora, ainda quando deputada federal, além de laços construídos quando ambos dividiam o plenário da CLDF. Entre as indicações do emedebista estão cargos estratégicos na Codhab, responsável pela gestão de programas habitacionais do DF.
O mal-estar abriu espaço para tentativas de recomposição e repercutiu entre os parlamentares do MDB-DF. O deputado federal Rafael Prudente quer disputar mandato majoritário, mas isso não significa que os distritais estejam dispostos a sacrificar suas nomeações. Todos, inclusive a própria família do pré-candidato, que mantém contratos com o GDF, têm muito a perder com um rompimento brusco.
Recado de Celina
Nesta sexta-feira (22), Celina respondeu à escalada de tensão exonerando indicados de Ibaneis no governo. O gesto foi lido como um aviso direto ao ex-governador e também aos distritais: a relação pode ter chegado a um ponto sem retorno.
O líder do governo na CLDF, Hermeto (MDB), é um dos mais expostos. Conhecido pela fidelidade a Ibaneis, o deputado colocou o cargo à disposição assim que Celina assumiu, mas permaneceu no posto graças à boa interlocução com colegas de esquerda e direita, o que ajudou a reduzir desgastes para o Palácio do Buriti em votações sensíveis.
Hermeto tem influência em cargos de administrações regionais e na cúpula da Polícia Militar do DF. Uma eventual perda de espaço na corporação, às vésperas da eleição, pode comprometer seus planos de reeleição.
A pressão também recai sobre Iolando Almeida, que tem indicações na Secretaria da Pessoa com Deficiência e na Administração de Brazlândia. Discreto nas manifestações públicas, o deputado consolidou um robusto espaço dentro da máquina do GDF, que sustenta sua base política.
Daniel Donizet é outro que depende de estrutura. Com atuação forte na causa animal e espaço na Administração do Gama, seu reduto eleitoral, ele vive uma situação particular: foi envolvido em denúncias de assédio e violência sexual e encontrou em Ibaneis um aliado quando estava isolado. Processos de cassação contra ele estão parados na CLDF, e a expectativa é que não avancem – algo atribuído à força do ex-governador nos bastidores.
Jaqueline Silva, por sua vez, é quem se encontra em posição mais confortável dentro do MDB. Ela preside a Comissão de Assuntos Fundiários (CAF), estratégica por controlar a pauta relacionada ao uso e ocupação do solo no DF. Ainda assim, suas nomeações na Administração de Santa Maria são peça-chave para seus projetos eleitorais.
Impasse generalizado
O quadro é ruim para todos os envolvidos: Ibaneis precisa preservar apoio político, os distritais querem manter cargos e influência, Celina depende de votos na CLDF para governar, e a direção nacional do MDB busca viabilizar um nome competitivo na chapa majoritária – seja ao lado da governadora, seja em outro projeto. Falta, porém, combinar os movimentos com a base do próprio partido.
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