Deputado Daniel de Castro abre confronto e faz chantagem ao GDF após desgaste provocado pela regularização de Vicente Pires.

O deputado distrital Daniel de Castro transformou a regularização fundiária de Vicente Pires numa crise política dentro da própria base da governadora Celina Leão. Ao jogar para a pequena plateia, que registrou em vídeo para espalhar entre os moradores de Vicente Pires, Daniel de Castro subiu à tribuna da Câmara Distrital e, com discurso inflamável, atacou a estatal Terracap e mandou recado de chantagem para a governadora Celina Leão: “Estão usando Vicente Pires pra arrecadar dinheiro! Tá errado! Será que eu vou ficar falando sozinho?”, se referindo à Terracap. E continuou: “Se a governadora não resolver, não terá mais nenhum voto meu aqui nesta Casa!”. “A Terracap não vai passar por cima de mandato!”. Após o lançamento do edital da Terracap, que definiu os parâmetros para a regularização dos imóveis da região, o parlamentar passou a intensificar os ataques ao governo e à estatal, alegando que os valores cobrados prejudicam moradores e “empresários”.
Nos bastidores do Distrito Federal, aliados do governo afirmam que o desgaste político provocado pelo tema atingiu diretamente o deputado, historicamente ligado às discussões sobre Vicente Pires e que acompanhou, com lupa, ao longo dos anos, o processo de regularização da cidade. A avaliação dentro do governo é que as críticas feitas agora procuram transferir para a Terracap e para o Palácio do Buriti o custo político de uma decisão administrativa que, segundo a própria estatal, foi construída dentro dos parâmetros legais exigidos para garantir a emissão das escrituras definitivas dos imóveis.
Da tribuna da Câmara Legislativa, Daniel de Castro elevou o tom contra a Terracap, contra integrantes do governo e contra a própria governadora Celina Leão, chegando a afirmar que poderá deixar de apoiar matérias do Executivo caso o impasse não seja solucionado. Tudo filmado para espalhar em Vicente Pires, na tentativa de resgatar os votos perdidos para sua reeleição.
No governo, a resposta é direta: a regularização fundiária não pode ser conduzida por critérios políticos, mas pela legislação e pelos procedimentos jurídicos que regem a atuação da Terracap. Integrantes da administração sustentam que eventuais alterações no edital dependem de fundamento legal e não de conveniências políticas ou eleitorais.
O resultado foi a abertura de uma das mais duras divergências já registradas entre um deputado da base governista e a atual chefe do Executivo distrital, Celina Leão. Os desgastes do deputado Daniel de Castro com o eleitorado não abrangem só esse tema. Recentemente, o deputado distrital Pastor Daniel foi condenado na Justiça do Distrito Federal após publicar um vídeo nas redes sociais atacando uma professora da rede pública. A decisão ocorreu após o parlamentar filmar e expor uma aula sobre história e cultura afro-brasileira no Centro Educacional do Lago Sul, acusando falsamente a educadora de realizar rituais religiosos em sala. O caso ganhou repercussão nacional e Daniel foi duramente criticado por todos os segmentos afro-brasileiros por ter cometido crime grave de racismo cultural.
O deputado, após descer da tribuna, entregou atestado para se afastar por quinze dias do parlamento, fugindo do embate jurídico com a estatal Terracap.



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