Imóveis próximos a parques ganham valor e atraem compradores em busca de qualidade de vida

 

Foto: Mirante Incorporações

Na capital do país, a busca por contato com a natureza e bem-estar impulsionam a procura por imóveis localizados ao lado de áreas verdes urbanas

Morar próximo a um parque deixou de ser apenas uma preferência estética para se tornar um dos principais diferenciais do mercado imobiliário contemporâneo. Em cidades cada vez mais verticais, a proximidade de áreas verdes tem influenciado diretamente a valorização dos imóveis, atraindo compradores interessados não apenas em retorno financeiro, mas também em qualidade de vida.

Estudos nacionais e internacionais apontam que imóveis localizados no entorno de parques urbanos tendem a apresentar valorização superior à média do mercado. Levantamento global da consultoria britânica Knight Frank  e divulgada no The Wealth Report 2020, metade dos indivíduos de patrimônio líquido ultra alto  leva em consideração a proximidade de parques na decisão de compra de um imóvel.

Pesquisa brasileira da Brain Inteligência Estratégica, sobre Moradia e Bem-Estar, aponta que o conceito de bem-estar deixou de ser um diferencial e tornou-se um filtro essencial para a decisão de compra de imóveis, influenciando 78% dos brasileiros. Os dados são deste ano de 2026.

Tendência em Brasília

Na capital do Brasil, especialistas do setor avaliam que a escassez de terrenos com vista permanente para áreas verdes tem transformado esse tipo de localização em um ativo cada vez mais valorizado. Em regiões como Águas Claras, no Distrito Federal, onde o crescimento vertical é intenso, empreendimentos voltados para o parque passaram a reunir características difíceis de serem reproduzidas em novos projetos.

De acordo com Jamil Lessa, sócio-fundador da incorporadora brasiliense Mirante, a busca por moradia próxima a áreas verdes é uma tendência que vem se mantendo na capital federal.

Apartamentos com vista livre são até 30% mais valorizados do que unidades equivalentes sem esse diferencial. O interesse de compra cresce em torno de 20% quando a vista é livre para um parque, interferindo diretamente na liquidez e na valorização do imóvel. Em Águas Claras, onde existe o adensamento vertical, esse atributo funciona como vantagem competitiva praticamente irreproduzível, avalia o empresário, que atua no ramo imobiliário há 20 anos.

Conforme Lessa, os principais motivos que levam as pessoas a priorizar imóveis próximos a áreas verdes incluem práticas esportivas e menos barulho de trânsito. "Notamos que bairros com mais áreas verdes costumam apresentar maior atratividade e valorização justamente por oferecerem melhores condições ambientais e de lazer aos moradores", diz.


Parque como extensão da casa

Para muitas famílias, a proximidade de áreas verdes tem redefinido a experiência de morar na cidade. Caminhadas ao ar livre, passeios de bicicleta, atividades esportivas e momentos de convivência passaram a fazer parte da rotina sem a necessidade de longos deslocamentos.

Para os moradores, o impacto é diário. Vai do filho que tem o parque como extensão do pátio ao adulto que descomprime antes de chegar ao elevador. Percebemos que a associação entre exposição à natureza e melhor saúde mental está bem estabelecida, afirma Jamil Lessa.

O empresário ainda reforça que o mercado imobiliário enxerga a busca por imóveis próximos a parques como um movimento que veio para ficar. Mais do que localização privilegiada ou metragem, compradores têm priorizado atributos relacionados à saúde, sustentabilidade e conexão com a natureza.

No Distrito Federal, onde grande parte da vegetação original do Cerrado foi substituída pela expansão urbana ao longo das últimas décadas, a preservação de áreas verdes próximas aos empreendimentos tende a desempenhar papel cada vez mais relevante na valorização imobiliária e na qualidade de vida das futuras gerações, finaliza Jamil Lessa.

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