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Após ideia, moradores mantêm jardim colaborativo em edifício de Santos


Ideia surgiu após campanha de doação de orquídeas feita pelo síndico. Canteiro cria ambiente de tranquilidade e melhora a qualidade de vida

A beleza da primavera já pode ser observada em vários locais de Santos, no litoral de São Paulo. A estação das flores chegou às 23h29 desta segunda-feira (22) ao Hemisfério Sul, e aos poucos vai colorindo a cidade. No entanto, para os moradores de um edifício no bairro Aparecida, a paisagem mais bela é a que eles podem admirar quando chegam em casa.


De frente para a orla da praia, o prédio chama a atenção logo na entrada. As árvores frontais são ornadas com orquídeas brancas e violetas. Porém, as pessoas que reparam nas plantas visíveis da calçada não imaginam que, dentro do condomínio, há um grande jardim colaborativo. O canteiro, que ocupa toda a extensão do corredor de acesso aos dois blocos do prédio, possui várias mudas de plantas doadas por condôminos.

De acordo com a psicóloga Sílvia Pittas, que reside no edifício há 18 anos, a ideia de cultivar um jardim colaborativo surgiu após uma campanha feita pelo síndico, para a doação de orquídeas. “Há quatro ou cinco anos, ele fez uma campanha pedindo orquídeas para enfeitar o jardim do prédio. Foi contratado um paisagista também, que trouxe as árvores mais altas”, conta.

A iniciativa criou um hábito entre os moradores, que passaram a doar diversas mudas com frequência. “Se eu compro ou ganho alguma planta e deixo no apartamento, ela murcha depois de um tempo. Então, eu trago aqui para baixo e eles replantam no canteiro”, afirma Sílvia. Para ela, o costume traz benefícios. “É bom, porque natureza é qualidade de vida. Além disso, você continua vendo as suas plantas”, diz.

Quem também doa mudas para o prédio é a naturóloga Cícera Silva de Santana. Morando no edifício há 11 anos, ela e o marido possuíam um sítio em Bertioga, e de lá traziam mudas nativas para replantar no jardim.

“As hortênsias foram as primeiras que eu trouxe, mas elas não florescem sempre, porque quase não bate sol”, explica a moradora. Com descendência indígena, a naturóloga comenta que cultiva plantas desde pequena.

O condomínio é composto por 156 apartamentos, e o corredor ladeado pelo jardim colaborativo termina em uma área de lazer com mesas, cadeiras e guarda-sóis, além de um parquinho para as crianças e árvores frutíferas. Entretanto, os alimentos são devorados pelos pássaros antes que os condôminos possam provar. “Todas as frutas já estão bicadas quando a gente chega. A jabuticabeira é a preferida dos passarinhos”, relata Sílvia.

O canteiro, que recebe os cuidados de um jardineiro uma vez por semana, é, na opinião da psicóloga, sinônimo de paz.
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